O mercado financeiro brasileiro chegou à reta final das eleições presidenciais de 2026 com movimentos de valorização na Bolsa de Valores e queda do dólar. Na sexta-feira, 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno, a moeda norte-americana encerrou as negociações cotada a R$ 4,99, com desvalorização de 0,9%.

O desempenho ocorreu em um momento de expectativa entre investidores, que aguardam o resultado da votação deste domingo, 25 de outubro, para avaliar os possíveis rumos da política econômica brasileira.

Enquanto o dólar perdeu força diante do real, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, apresentou movimento de alta durante a sessão. O cenário também foi influenciado pelo avanço dos preços internacionais do petróleo, que atingiram a região de US$ 117 por barril.

De acordo com informações divulgadas por O Globo, o comportamento do câmbio brasileiro contrariou a tendência de fortalecimento da moeda americana diante de outras divisas internacionais.

Na avaliação de participantes do mercado, a combinação entre o preço elevado do petróleo, o posicionamento dos investidores e as expectativas eleitorais contribuiu para a movimentação dos ativos brasileiros.

Dólar fecha a R$ 4,99 e acumula queda na semana

O dólar comercial encerrou a sexta-feira com recuo de aproximadamente 0,9%, terminando o pregão na faixa de R$ 4,99. No acumulado da semana, a moeda americana registrou desvalorização de 1,57% diante do real.

A queda chamou atenção porque ocorreu em um ambiente internacional no qual o dólar apresentava valorização em relação a outras moedas importantes.

No momento do encerramento das negociações brasileiras, o índice DXY, indicador que acompanha o desempenho da moeda americana diante de uma cesta de divisas internacionais, registrava alta de aproximadamente 0,2%.

Esse comportamento evidencia que fatores específicos da economia brasileira também influenciaram o câmbio, além das condições gerais do mercado internacional.

O fortalecimento do real pode reduzir os custos de determinados produtos importados e aliviar despesas de empresas que realizam pagamentos em dólar. Entretanto, os efeitos sobre os preços ao consumidor dependem de outros fatores, incluindo impostos, custos logísticos e condições de oferta.

Para empresas exportadoras, uma cotação mais baixa da moeda americana pode reduzir o valor em reais das receitas obtidas no exterior, dependendo da estrutura de custos e das operações de proteção cambial.

Alta do petróleo ajuda a explicar valorização do real

Um dos principais acontecimentos do mercado internacional foi a valorização expressiva do petróleo, que chegou à região de US$ 117 por barril, em meio às preocupações com a oferta global da commodity.

O movimento tem importância especial para o Brasil, que figura entre os países exportadores líquidos de petróleo.

Quando os preços internacionais da commodity sobem, empresas exportadoras podem registrar receitas maiores em dólares. Dependendo do fluxo comercial e financeiro, esse cenário também pode favorecer a entrada de recursos estrangeiros no país.

Em declaração reproduzida na cobertura de O Globo, Carlos Lopes, do Banco BV, destacou que o real estava entre as moedas beneficiadas pela valorização do petróleo, apesar do fortalecimento internacional do dólar.

O especialista também observou que a ausência de grandes novidades no cenário eleitoral contribuiu para que fatores externos tivessem influência relevante sobre as negociações.

Apesar dos possíveis benefícios para o setor exportador, o petróleo mais caro também representa riscos econômicos. A manutenção de preços elevados pode aumentar custos de combustíveis, transporte e produção, criando pressões inflacionárias.

Bolsa brasileira registra alta antes da decisão eleitoral

O Ibovespa apresentou valorização durante a sessão de sexta-feira, acompanhando a movimentação dos investidores na reta final da disputa presidencial.

A Bolsa brasileira reúne ações de empresas de diferentes setores da economia, incluindo bancos, companhias de energia, mineração, indústria e varejo.

Por essa razão, seu desempenho depende de uma combinação de fatores domésticos e internacionais, como expectativas sobre os juros, crescimento econômico, resultados corporativos e preços das commodities.

Na semana que antecedeu o segundo turno, o ambiente político ganhou relevância adicional para os participantes do mercado financeiro.

Investidores passaram a avaliar os possíveis efeitos do resultado eleitoral sobre a condução das contas públicas, a política tributária, os investimentos e a trajetória dos juros brasileiros.

Embora a alta observada durante o pregão represente um sinal positivo para os ativos negociados naquele momento, ela não garante continuidade da valorização nos próximos dias.

O comportamento das ações poderá mudar conforme novas informações políticas e econômicas forem incorporadas às expectativas do mercado.

Segundo turno aumenta expectativa e volatilidade do mercado

O segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo, 25 de outubro, representa um dos principais acontecimentos políticos acompanhados pelos investidores brasileiros.

A definição do próximo presidente poderá influenciar as expectativas sobre a política econômica, especialmente em temas relacionados ao equilíbrio fiscal, à dívida pública e à capacidade de crescimento do país.

Uma das preocupações do mercado está relacionada à trajetória das contas públicas. A percepção sobre a sustentabilidade da dívida brasileira pode afetar os juros exigidos pelos investidores e o valor dos ativos financeiros.

Outro ponto importante envolve a possibilidade de mudanças nas políticas tributárias, nos programas de investimento e nas regras que orientam a administração das despesas públicas.

Segundo a avaliação de Carlos Lopes, do Banco BV, divulgada na cobertura de O Globo, o mercado continuava percebendo uma eleição dividida e competitiva, condição que incorpora volatilidade às negociações.

Essa volatilidade pode aparecer tanto na cotação do dólar quanto no desempenho da Bolsa e dos contratos futuros de juros.

Entretanto, a reação dos mercados não depende exclusivamente do resultado eleitoral. O ambiente econômico internacional também permanece determinante para o comportamento dos investidores.

Por que as eleições influenciam o dólar e o Ibovespa?

O mercado financeiro reage continuamente às expectativas sobre o futuro da economia. Durante períodos eleitorais, investidores procuram antecipar como diferentes propostas de governo poderão afetar empresas, consumidores e contas públicas.

Quando existe expectativa de maior estabilidade econômica, determinados ativos brasileiros podem se tornar mais atraentes para investidores nacionais e estrangeiros.

Em algumas circunstâncias, esse movimento favorece a entrada de capital no país, aumenta a demanda por reais e contribui para a queda da cotação do dólar.

Por outro lado, preocupações relacionadas à inflação, ao crescimento da dívida pública ou à condução da política fiscal podem aumentar a procura por ativos considerados mais seguros.

Nesses momentos, a moeda americana pode ganhar força, enquanto ações de empresas brasileiras ficam sujeitas a oscilações mais intensas.

Essas relações, porém, não são automáticas. O desempenho dos mercados depende de diferentes variáveis e pode contrariar expectativas de curto prazo.

O que a queda do dólar significa para os brasileiros?

A cotação do dólar influencia diversos setores da economia brasileira, mesmo quando o consumidor não realiza compras internacionais diretamente.

Produtos importados, equipamentos eletrônicos, componentes industriais e matérias-primas negociadas internacionalmente podem ter seus custos afetados pela variação cambial.

Uma queda persistente da moeda americana tende a reduzir parte dessas pressões, embora a transmissão para os preços finais não aconteça necessariamente de forma imediata.

Para brasileiros que planejam viagens internacionais, o dólar mais baixo pode representar uma redução no custo de despesas realizadas no exterior.

Entretanto, a cotação comercial divulgada pelo mercado financeiro não corresponde necessariamente ao valor cobrado por bancos e casas de câmbio, que incluem margens, tributos e tarifas.

Já para empresas exportadoras, a valorização do real pode representar um desafio adicional de competitividade, especialmente quando suas receitas são denominadas em dólares e parte relevante das despesas ocorre em moeda brasileira.

Mercado também acompanha juros e economia internacional

Além do cenário eleitoral, investidores continuam atentos às decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

O Federal Reserve, banco central americano, exerce influência importante sobre os fluxos internacionais de capital por meio de suas decisões sobre as taxas de juros.

Juros mais elevados nos Estados Unidos podem aumentar a atratividade de investimentos denominados em dólar, afetando moedas de países emergentes.

No Brasil, as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic também influenciam o custo do crédito, o consumo, os investimentos e a avaliação das empresas negociadas na Bolsa.

Os preços internacionais do petróleo acrescentam outra variável ao cenário, já que podem beneficiar empresas exportadoras e, ao mesmo tempo, pressionar custos de produção e inflação.

Por isso, a combinação entre política monetária, commodities e expectativas fiscais continuará sendo acompanhada mesmo depois da definição eleitoral.

O que esperar do dólar e da Bolsa após o segundo turno?

A próxima sessão regular da Bolsa brasileira está prevista para segunda-feira, 26 de outubro, quando investidores poderão reagir ao resultado das eleições presidenciais.

A intensidade dessa reação dependerá das expectativas que já estiverem incorporadas aos preços dos ativos e das informações divulgadas após a votação.

Entre os principais pontos de atenção estarão as primeiras manifestações do presidente eleito, as possíveis indicações para a equipe econômica e as sinalizações relacionadas às contas públicas.

O mercado também deverá acompanhar a reação de investidores estrangeiros, a trajetória dos juros futuros e o comportamento das principais commodities internacionais.

Mesmo com o dólar encerrando a sexta-feira em R$ 4,99 e a Bolsa apresentando movimento positivo durante a sessão, não é possível afirmar antecipadamente qual será a direção dos mercados após a eleição.

O desempenho dos ativos dependerá da interpretação dos investidores sobre o resultado político e sobre as perspectivas econômicas para os próximos anos.

Assim, a última sessão antes do segundo turno terminou marcada pela queda do dólar, pela valorização observada na Bolsa e pela expectativa em torno de uma decisão eleitoral capaz de influenciar o ambiente financeiro brasileiro.

Fontes