Um dinheiro que ficou parado durante décadas pode estar disponível para milhares de brasileiros.

A Caixa Econômica Federal iniciou em 25 de setembro o pagamento de um novo lote de ressarcimentos das antigas cotas do Fundo PIS/Pasep. Nesta rodada, entram os pedidos realizados até 31 de agosto de 2026.

Os recursos pertencem a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que trabalharam entre 1971 e 1988 e possuíam cotas que não foram sacadas. Em caso de morte do titular, beneficiários legais também podem solicitar o dinheiro.

Há, porém, uma diferença importante: esse pagamento não é o abono salarial do PIS/Pasep depositado anualmente para trabalhadores que cumprem determinados requisitos.

Trata-se de dinheiro de um fundo antigo, cujos saldos não sacados acabaram transferidos para o Tesouro Nacional.

Quem pode ter dinheiro a receber?

O primeiro ponto é verificar quando a pessoa trabalhou.

O ressarcimento é destinado a quem trabalhou com carteira assinada ou como servidor público entre 1971 e 1988, possuía saldo nas antigas contas individuais do Fundo PIS/Pasep e ainda não retirou esses recursos.

Isso não significa que todas as pessoas que trabalharam nesse período automaticamente tenham dinheiro disponível.

É necessário consultar o sistema para verificar se existe saldo vinculado ao antigo fundo.

Também há uma possibilidade importante para famílias de trabalhadores que já morreram.

Dependentes ou sucessores legais podem consultar a existência de recursos e solicitar o ressarcimento quando houver saldo disponível. Para esses casos, são exigidos documentos adicionais que comprovem o direito ao dinheiro.

Por que esse dinheiro ficou esquecido?

Durante décadas, PIS e Pasep mantiveram contas individuais destinadas a determinados trabalhadores.

Posteriormente, o modelo foi alterado. O antigo Fundo PIS/Pasep foi extinto e seus ativos foram transferidos inicialmente ao FGTS.

Os valores que continuaram sem ser retirados foram posteriormente transferidos para a conta única do Tesouro Nacional. Mesmo assim, a legislação preservou a possibilidade de o trabalhador ou seus beneficiários legais solicitarem o ressarcimento.

É daí que vêm os valores que agora estão sendo devolvidos.

Como consultar se há dinheiro disponível

A consulta pode ser realizada pela internet.

O Ministério da Fazenda disponibiliza o Repis Cidadão, sistema criado especificamente para centralizar as informações referentes ao ressarcimento das antigas cotas.

Depois da identificação no sistema, o titular consegue verificar se existe valor disponível.

Outra possibilidade é consultar pelo aplicativo FGTS. A Caixa também permite obter informações presencialmente em suas agências.

Como pedir o ressarcimento

Encontrar um saldo não significa que o pagamento será feito automaticamente para todos os casos.

O interessado precisa fazer a solicitação.

Segundo a Caixa, o pedido pode ser realizado pelo aplicativo FGTS ou presencialmente em uma agência. Para o titular, é necessário apresentar documento oficial de identificação.

No caso de beneficiários de uma pessoa falecida, o procedimento exige documentação complementar.

Entre os documentos aceitos estão, conforme a situação, certidão com a relação de dependentes habilitados à pensão por morte, carta de concessão da pensão acompanhada da relação de beneficiários, declaração de dependentes emitida pelo órgão pagador ou documentação judicial ou cartorial aplicável aos sucessores.

Por isso, o procedimento de um herdeiro pode ser diferente daquele realizado diretamente pelo antigo trabalhador.

Onde o dinheiro é depositado?

Depois que o pedido é analisado e autorizado, o pagamento é realizado pela Caixa.

Segundo a instituição, o crédito ocorre em conta individual da Caixa quando o beneficiário possui conta corrente, poupança ou conta digital.

Quando necessário, pode ser aberta automaticamente uma Conta Poupança Social Digital, sem custo adicional, que pode ser movimentada pelo Caixa Tem.

O calendário oficial estabelece que, depois do deferimento, o pagamento ocorre de acordo com a data em que a solicitação foi apresentada.

Foi justamente por isso que os pedidos feitos até 31 de agosto entraram no pagamento de 25 de setembro.

Ainda dá tempo de pedir?

Sim. O pagamento de setembro não representa o encerramento do programa.

O calendário oficial da Caixa para 2026 prevê novos créditos nos próximos meses. Quem apresentar solicitação até 30 de setembro, por exemplo, tem crédito previsto para 26 de outubro, desde que o pedido seja aprovado e observadas as condições do programa.

A Caixa também ressalta que o pagamento depende da disponibilidade de recursos no orçamento federal. Caso não haja recursos suficientes no ano da solicitação, o valor poderá ser pago no ano seguinte com a correção prevista.

Quanto cada pessoa pode receber?

Não existe um valor único para todos.

O saldo depende das cotas pertencentes ao trabalhador e de seu histórico no antigo fundo. Os valores transferidos ao Tesouro são corrigidos de acordo com as regras previstas para o ressarcimento.

Por isso, é melhor evitar anúncios que prometam uma quantia específica sem consultar o saldo individual.

A forma segura de saber quanto existe a receber é fazer a consulta nos canais oficiais.

Não confunda com o abono salarial

A semelhança dos nomes pode causar confusão.

O abono salarial PIS/Pasep é um benefício diferente, com regras e calendário próprios.

O ressarcimento tratado nesta matéria corresponde às antigas cotas individuais do Fundo PIS/Pasep, relacionadas principalmente aos trabalhadores e servidores do período entre 1971 e 1988.

Para quem trabalhou nessa época — ou possui pai, mãe ou outro familiar falecido que possa ter deixado cotas — a consulta pode valer a pena.

O primeiro passo é simples: verificar pelos canais oficiais se realmente existe algum saldo antes de fornecer documentos ou dados pessoais a terceiros.